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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

"QUE BARULHO É ESSE?"



“QUE BARULHO É ESSE?”1
Martins Pescador

Zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz...
É o guizo da cobra.

Zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz...
É o alerta da morte.
É a cobra na moita.
Quem a viu, teve sorte,
Uma cobra morreu,
Outra cobra nasceu.

Zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz...
É o barulho da serra,
Cortando a madeira.

Zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz...
É o barulho da queda,
Da árvore que tomba.

Zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz...
É o guizo da cobra.
O ruído selvagem,
Que um dia existia.

Zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz...
É o ronco dos carros.
O ruído do progresso,
Que aumenta a cada dia.
Tudo coragem...
Tudo talento...

Zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz...zzzzzzzzzz...
É o barulho do vento.
É a força do El Niño.
Telhas voando sem asas,
Quebrando o resto das árvores,
Deixando o resto das aves
Sem o ninho.
(Saudade daquelas matas...)

Zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz...
É o guizo da cobra.

Zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz...
É o barulho da serra,
Cortando a madeira,
Para construir ranchos,
Pousadas tropeiras!

Zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz...
É o ronco de uma aeronave,
Descendo na pista de chão.

Zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz...
Um avião, uma cidade,
Um aeroporto de verdade.

Zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz...
É o guizo da cobra,
Que perdeu o habitat,
A vida e o nome.

Zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz... zzzzzzzzzz...
É o ronco dos motores
É o barulho do homem!

1. Poesia premiada em primeiro lugar na Série Concurso Literário Celso Sperança, e publicada no livro Paço das Artes, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Cascavel – Dezembro 1999.

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